sábado, 14 de janeiro de 2012

Carência financeira – parte 6


Um mergulho para a cura da alma pela descoberta do amor aos pais.

Mesmo as estruturas mentais, mais profundas podem perder a utilidade. Embora muitas delas nos aprisionam em um mundo nosso de modo previsível e confortável que nos impedem de reagir às novas possibilidades. Vivemos com medo até de perdê-las.

Como saber como e quando abandoná-las?

Em, “A mente iluminada: antologia de prosa sacra” de Stephen Mitchell, apresenta a seguinte história contada por Buda:

“Indo por um caminho, um homem vê um grande rio; sua margem mais próxima parece perigosa e assustadora, a outra, segura. Ele pega paus e folhas, constrói uma jangada, atravessa o rio e chega à outra margem. Agora suponha que, ao chegar, ele pegue a jangada, coloque-a na cabeça e siga o seu caminho, levando-a onde for. Estaria usando a jangada de maneira adequada? Não. Um homem sensato perceberá que a jangada foi muito útil para atravessar o rio e chegar a salvo à outra margem, mas que, uma vez do outro lado, é melhor abandonar a jangada e prosseguir sem ela. Isso é usar a jangada adequadamente. Do mesmo modo, todas as verdades devem ser usadas para as travessias; não convém levá-las consigo depois de haver chegado. É preciso abandonar até mesmo o insight mais profundo do ensinamento mais completo; quanto mais dos ensinamentos incompletos.”

No nosso mundo mental e particular, estamos sempre formando estruturas de padrões através das nossas experiências, para que o mundo tenha sentido. Já as pessoas com distúrbios neurológicos carecem de padrão mental para compreender o que veem e experimentam, ficando continuamente desorientadas.

Mas as estruturas de padrões que envolvem nossa vida, nossa história e nosso nascimento, quando não entendidas podem desorientar qualquer um de nós e pesar-nos nos ombros como uma jangada.  Uma inverdade pode durar uma vida inteira.

Chegamos, na parte seis, de nossa reflexão: Um mergulho para a cura da alma pela descoberta do amor aos pais.

Todos os sofrimentos e dores da alma possuem uma função específica em nossa vida. Na verdade eles têm vida útil, um período específico de serventia. Conservá-las além do tempo é condenar-se à estagnação. Ouse abandoná-las e você estará criando um futuro brilhante.

Porém nem sempre é fácil perceber quando estamos cultivando um padrão que não funciona.
Ele é tão real, que teremos todas as justificativas para acreditar que é quase impossível haver uma mudança em algo, que aparenta ser tão concreto.

E com a carência financeira não é diferente.  A relutância e o medo obstruem a prosperidade. Usa-se o falso concreto como desculpa para não cumprir promessas, e não concretizar sonhos. E mais, a usa para cultivar antigas mágoas. É uma prisão mental, tudo pode ser, mas nunca é feito nada de posse da nova informação, assim é sufocante e previsível. Perde-se a alegria ou mesmo a satisfação nos fatos do cotidiano. Qualquer perspectiva de futuro traz a mesma imagem do passado.

Esta nossa viagem, é um passeio pelos vícios, sobretudo adquiridos no desenrolar e amadurecimento pessoal, quando este, aparentemente do lado de cá, é narrado por uma alma que vive na ausência; quando ela vibra culpa, medo e indiferença.

Muitos especialistas dizem que existe um paralelo entre o comportamento humano “dirigido”- o comportamento que expressa um padrão de conduta construído formatado nas camadas profundas do subconsciente que possui função de repetição na vida (vide A Verdade da Vida volume 4) por mais que se mudem os cenários este padrão sempre está lá, nos arremessando a velha atitude de medo e fracasso; - e o comportamento viciado, que tal qual o dirigido pode ser medido em nossa vida, pela forma com que nos afastam das nossas escolhas reais, metas e interferem em como vivemos e em nossa felicidade.

O vício trabalha com o padrão dirigido da seguinte maneira: este último superaquece os seus desejos. Você não consegue parar de pensar no que precisa ter ou fazer a fim de ficar livre da ansiedade e do medo. Para aliviar-se de tanta tensão entra a automedicação com comportamentos e ou mesmo substâncias que o distraiam tais como a comida, as compras, o jogo, o trabalho, o sexo, as drogas, o álcool, etc., não tarde até que necessite cada vez mais delas tornando-se dependente, ou seja, um verdadeiro viciado.

É quando falamos em vício, estamos sempre pensando em drogas ou álcool.  Mas não são somente estes vícios que destroem o homem.

O vício interfere no nosso funcionamento.
Altera a nossa psique, muda os nossos padrões.

O ser humano fica mais estressado e passa a precisar mais da substância ou dos comportamentos que os viciados usam para enfrentar os seus problemas.

O remédio que lhe entorpece os sintomas passa a ser o problema e não a solução.
O primeiro sinal do vício se manifesta com a abstinência, quando se tenta parar de usar a substância ou de ter o comportamento em questão.

Mas e quando se trata de uma reação de “abstinência emocional” ligadas as coisas que têm a ver com o dinheiro? É ai que aparece a carência financeira. A ruína dos sonhos.

Quando nos aventuramos no território das emoções compulsivas, temos que ter em mente não só o que estamos fazendo, nossas atitudes e escolhas. Mas também o que acontece quando nas nossas reações tentamos suprimir umas dessas formas de comportamentos dirigidos.

Nossas reações revelam os “carmas”, os padrões, o comportamento dirigido oculto. E no caso da carência financeira, nossas reações soam como vozes interiores e exteriores que nos seduzem com visões de coisas que "precisamos ter", "precisamos fazer", "precisamos comprar", "precisamos dar".

Por maior que seja nossa clareza quanto aos nossos objetivos – como, por exemplo, a necessidade de economizar para dar entrada naquela casa, naquele carro, para aquela viagem, para a faculdade dos filhos – nossa carência financeira oferece gratificações imediatas por meio da diversão, liberdade, com justificativas plausíveis e merecimento pelo nosso árduo trabalho.

Quando seguimos essas vozes o resultado final é sempre “solidão financeira”.

Ganho pouco. Meu dinheiro não dá para nada. Não consigo economizar. Vivo em volto em dívidas. Sou constantemente roubado. Tudo quebra aqui em casa. O carro vive no mecânico. Viciei-me em crediário. Quando estou mal, preciso comprar alguma coisa. Tenho que jantar fora. Preciso daquela bolsa. Sou rato de livraria. Sou viciado em DVDs. Minha mulher não me entende e por aí vai.

Há pouco tempo, conheci a história de uma jovem recém-casada, que tinha o sonho de deixar a casa da sogra, e ter o seu lar. Ela trabalhava como telefonista de uma grande multinacional e aspirava um cargo melhor. Ganhava algo em torno de R$ 850,00 e benefícios. A empresa oferecia uma sólida política de cargos e salários, o que aumentava suas chances de ser promovida.

Porém, quando ela conversou com o gerente de recursos humanos, descobriu que com sua atual formação nada poderia ser feito para crescer dentro da empresa. Ela deveria voltar a estudar. Nesta entrevista ela alegou que com seu atual salário, não teria como. Então, solidário com a situação dela o seu gerente apresentou uma saída. Se ela concluísse um curso no SENAC de Secretária, poderia ser promovida e passaria a ganhar R$ 1.200.00, o que já iria lhe ajudar a concluir seus estudos. E mais se ela fizesse um curso de inglês, por exemplo, ela poderia chegar até o piso de R$ 2.500.00 na função de secretária bilíngue. Depois disso só mesmo com uma formação superior.

Diante de tal oportunidade ela ficou maravilhada. Já começou a sonhar com o dia em que iria deixar a casa da sogra e ter o seu próprio lar, afinal agora ela seria uma secretária bilíngue.

Ela contou que viu na Seicho-No-Ie que quando queremos algo, temos que nos comportar como se já o tivéssemos recebido. Então passou naquele momento a pensar e a sentir-se como secretária.  Até aqui tudo bem, está correto. Mas o cuidado que temos que ter é não fazer do sonho um devaneio.

Uma tarde ela estava indo pra casa, e passando em frente a uma loja, viu um lindo sapato. E logo manifestou sua “carência”, e a justificativa foi: - Meu Deus, como secretária, preciso destes sapatos.

Entrou na loja, provou os sapatos. E ouviu da vendedora. “Nossa! Que lindos”.

Foi o canto das sereias. A vendedora estava dizendo que os sapatos são lindos. Mas na carência ela entendeu que lindo era ela, mas com os sapatos!

Comprou os sapatos. No outro dia viu uma bolsa... uma calça, um vestido, um lenço, um brinco, um cinto, outro vestido. E de tudo ela precisava, afinal agora ela tinha que comportar-se com secretária.

E em cada loja que ela entrava ela ouvia: lindos, lindo, magnífico, esplêndido, incrível, como fica bem em você. É seu número. Foi desenhado pra você. Admirável. Arrebatador. Gracioso. Surpreendente. Delirante!!!

Assim ela passou da noite para o dia, por uma transformação completa, de roupas ao cabelo. E agora como secretária , claro que ela precisava cuidar mais da sua aparência, então lá vai pés, mãos, tratamento facial, massagem etc., etc.

Contraiu tantas dívidas, que não conseguia ter dinheiro para o curso de secretária.

Só que se viciou nos elogios, passou a necessitar deles cada vez mais. Quando perdeu o crédito nas lojas, passou a comprar das chamadas sacoleiras. Depois começou a pegar empréstimo do consignado ao agiota, depois usando o cartão de crédito dos amigos e a sua vida virou um inferno.

Sem dinheiro, sem crédito, devendo e ao mesmo tempo comprando, perdeu o marido.

Quando não sabia mais o que fazer, procurou a Seicho-No-Ie, sua pergunta foi: onde que eu errei?

No primeiro momento logo percebi, que não era orientação que ela queria. Embora fosse isso o que a levou até aquela reunião da Quinta Especial.

Ela buscava um cúmplice. Alguém para ajudá-la a justificar sua loucura monetária.

Neste momento ganhando R$ 850,00 devia algo em torno de R$ 20.000,00, como ela mesma disse.

O que faz com que cada um consiga ter sucesso e lidar com sabedoria, referente às questões do cotidiano, estão pautados no autoconhecimento.

Sem o mínimo de discernimento somos vítimas do nosso vício.

Todos nós estamos sujeitos a passar por uma crise, e a defrontar-se com um carma do passado, ou mesmo sermos assolados por uma carência diante de um desafio, ou mesmo algo novo. O que vai fazer com que a gente não seja arrastado pelo carma, é o autoconhecimento.

Quando eu tenho um mínimo de discernimento no primeiro sinal de alerta  - isso pode ser um carma - rapidamente eu retomo o controle e não sou levado pela onda da ilusão que pode me destruir.

No caso desta jovem, faltou ela perceber que estava com um padrão compulsivo, vitima de uma carência, falta de autoconhecimento. Que é como eu me comporto diante de tal situação?

A maior parte das pessoas acreditam que se conhecem. Mas na verdade se conhecem muito pouco.
Se você não se conhece, como acreditar que poderá ter sucesso e viver uma vida feliz?

Amar-se é a condição básica para elevar a autoestima.

Quem tem baixa estima precisa sempre ser aprovado pelo outro. No caso da jovem acima, a aprovação era o elogio pelas roupas que ela atribuía a si. Se vir bajulada por todos os vendedores era como ser importante, fazia dela uma secretária importante. E isso era tudo o que ela queria ser. Amada, reconhecida!

Mas no confronto do sonho concretizado versus sua vida real, ela optou por viver uma ilusão.

Possuiu tanta necessidade de ser aprovada por todas as pessoas, que foi traída e perdeu-se pela promessa que poderia melhorar sua vida.

A baixa estima traz muitos transtornos para a vida, mina a felicidade. Aquele que faz o seu dever de casa, que se reconcilia com a sua história, que ama seus pais, é realmente um vitorioso.  Consegue aproveitar as oportunidades para aprimorar-se. E não se perde. Não vive uma sabotagem, diante de uma perspectiva de melhora.

O ser humano cria couraças, adotas padrões mentais que aprisionam a verdadeira essência.  

De acordo com o ambiente em que se vive, sendo ele mais austero, ou mesmo frio, nos ocultamos deixando de ter contato com a nossa natureza verdadeira e passamos a depender de estímulos externos para realmente sentir a vida.

Na busca pela vida, existe até o vicio das dívidas. A mania de gastar mais do que se ganha. As perdas sem sentido. A doença que leva a economia, o carro que quebra, a maquina apresenta um defeito justamente depois que acabou a garantia, e por aí vai...

Para encontrar-se é preciso um pouco de coragem, e, sobretudo determinação, quando você empreende uma viagem é preciso estar disposto, a mudar o que realmente precisa ser mudado.

O processo de mudança pessoal é uma das tarefas mais difíceis, muitas vezes falta uma estratégia. É necessário pensar em um objetivo e criar uma fórmula para que essa mudança ocorra.

Geralmente a gente pensa em um objetivo na linha do tempo, mas postergamos a mudança pela falta de disposição. E se enfrentamos dificuldades então para mudar ai já era...a gente estanca, pára ali mesmo e abandona tudo. Alegando até não dá mais. Já tentei de tudo.

Mas tentou o que mesmo?  

Parar de fumar fica para a próxima segunda-feira e assim por diante. Os compromissos assumidos ficam apenas nos planos das intenções, enquanto o tempo passa e nada acontece.

Na vida vivemos várias fazes, tudo colabora para  o auto- aperfeiçoamento, quem não reflexiona, quem não busca uma melhoria, fica estacionado no território da compulsão.

O início se dá pela capacidade de entender a verdade sobre nossa própria vida. Precisamos aceitar o funcionamento da nossa própria vida.  Lidar com as situações que são fáceis, mas também com algumas até difíceis e que nem independem da nossa gerência.

Vivendo nossa vida, suas indiferenças e restrições. Nos conhecemos, entendemos o nosso funcionamento, quais são as nossas respostas frente aquela questão.

É preciso compreender, quem somos.
Como lidamos com os deságios da vida?
A forma como reagimos as perdas e frustrações.
E como lidamos com o sucesso?

Para promover a verdadeira transformação é necessário se aceitar. Como somos!

Aceitam-se as misérias dos outros, mas quando se trata de aceitar-se, temos uma tendência para a fuga, resistência, mania de culpar os outros pelos nossos insucessos e fracassos, nossa tendência é sempre jogar a culpa nas costas de alguém.

Somos vítimas assim de nossas próprias tontas criações.

As imperfeições todos nós temos, todos passamos por vergonha, culpas, erros, isso não se pode negar, precisamos aprender a conviver com nossa história para transformá-la.
Somos humanos e como tal, temos que aceitar nossas fragilidades, para poder trabalhar com ela. E não viver como escravos dela.

Não busque ocultar-se. Busque se conhecer. Busque se aceitar.

Auto aceitação não é determinar: eu sou assim – você é que se enquadre.

Precisamos mudar, podemos mudar, precisamos melhorar, podemos melhorar, principalmente naquele ponto que mais nos incomoda.

Depois podemos até melhorar naquele ponto que incomoda os outros, quer seja no relacionamento, no trabalho ou na própria vida.

Temos que aprender a mergulhar no conhecimento interior. De nada adianta também fazer esse mergulho e não gostar de si, ou do que descobre a seu respeito. Isso não vai ajudar você a melhorar sua própria vida.

É por isso que muitas pessoas fogem de si mesmas, vivendo na superficialidade dos sentimentos. 

Vivendo expectativas e dificuldades. Este modo de viver nas expectativas é a chave da ruína financeira.

Hoje vivemos tempos em que a depressão é tida como o mal do século.

O mundo apresenta um intrincado de relacionamentos, neles temos que aprender a conciliar o que somos. Com o que gostaríamos de ser. Com quem fingimos ser. E com a busca de quem somos de verdade.

Isso não quer dizer que precisamos trilhar o caminho do desmerecimento de si mesmo.

O que na verdade devemos aprender é: se aquilo que estamos buscando neste momento está em consonância com a nossa realidade atual.

É preciso encontrar o ponto da flexibilidade para mudar as rotas, ajustar-se quando necessário, e sobre tudo combater nossas crenças negativas que é a atitude que mais nos prejudica.

Só quem sabe o que sente, e porque sente é que poderá controlar as suas emoções. Assim poderá ordenar, modificar a sua psique, consciente.

Uma vez conversei com um rapaz que me disse que ganhava dinheiro feito uma torneira aberta e gastava feito uma cachoeira. Pensei comigo, é simples basta construir uma barragem. Mas para quem vive sem se conhecer é impossível construir essa barragem. Ele não possui os elementos básicos para estancar a cachoeira dos gastos desnecessários.

Só através do contato íntimo consigo é possível descobrir quais as virtudes da nossa natureza intrínseca e poder tirar proveitos dessas qualidades reais.

Muitas vezes só buscamos melhorar nossos padrões diante de crises gravíssimas. Este ponto, nós vamos refletir mais a frente, e entender à função real dos sofrimentos e dificuldades na nossa vida.

A busca por melhoria deveria ser algo tão natural.  Mas quanto mais alto pensamos que estamos na vida, mais difícil se torna a mudança e ainda menor é o conhecimento que se tem de si mesmo.

Isso pode ocorrer porque na busca pela posição social, o ser humano esquece-se de ser quem ele é, e de olhar pra dentro de si e perceber quais são seus conhecimentos vitais. E de como ele funciona de fato, e que esses conhecimentos a cerca de si, estão acima dos seus conhecimentos profissionais.

Esta semana li, uma frase um tanto quando instigante no facebook dizendo que “de fato dinheiro não lhe compra a felicidade, mas te leva para sofrer em Paris”.

Nesta frase, encontramos muitas verdades, e também alguns conceitos reais por trás das atitudes de muitas pessoas que preferem a superação de sua vida econômica, sem importar-se com a qualidade dela. Afinal, sua vida incorpora o sofrer como uma atitude à custa de sustentar-se em uma posição muitas vezes construídas no egocentrismo da solidão.

Não faz muito tempo pude conhecer um senhor, com uma posição social de fazer inveja a qualquer mortal. Ele, porém vivia encarcerado na depressão. 

Sua vida era recheada de altas conquistas, altos salários. Mas vivia na solidão, sem amigos, sem de fato pessoas reais para compartilhar toda essa “suposta alegria”.

O encontrei na Academia de Ibiúna-SP. Ele me contou que teve uma infância muito sofrida, passando por algumas carências financeiras, não diferente da história de vida de muitos de nossos pais. E que por conta de um desentendimento com o seu pai, abandonou o seu lar, e passou a viver na rua. 

Tudo aconteceu depois de um mal entendido e de apanhar sem saber a razão. O fato é que ele desafiou o seu pai, que prontamente fez as juras do “não tenho mais filho”, rogando pragas de que você não vai ser ninguém na vida.

Ele deixou sua casa, com a determinação de vencer e poder esfregar na cara do pai, que sim, ele conseguiria. Morou nas ruas, foi engraxate, fazia bicos de todas as formas por uns trocados e assim foi seguindo a vida sem desistir do seu objetivo.  Conseguiu formar-se em direito e foi aprovado em um concurso, neste momento exerce a função de Juíz no alto escalão do Governo Federal.
Tem tudo o que o dinheiro pode lhe dar: viagens, carros, uma vida perfeita, porém vivia mergulhado na tristeza e na solidão.

A conclusão que chegamos em nossa conversa, foi de que quanto mais dinheiro ele ganhava, mais aumentava o seu sofrimento, tudo porque a motivação para ter dinheiro surgiu de uma mágoa profunda – não tenho o apoio do meu pai.

Faltava-lhe o primordial para ser feliz. Ter capacidade de orgulhar-se de sua própria história de vida e viver em harmonia, sobre tudo, com aqueles que lhe deram a condição de vida.

O básico dos básicos dos sentimentos humanos: A gratidão aos pais.

Na caminhada é preciso um árduo trabalho pessoal para descobrir quais são os nossos valores, e analisar as crenças que desenvolvemos ao redor de nossos caracteres.

Não se trata de pensar apenas naquilo que se pode ou não fazer. Mas o ponto de partida é entender as nossas respostas, e o modo como enfrentamos nossa realidade.  É entender aquilo que nos permitimos fazer.

Se eu acredito que sou uma pessoa horrenda, vou ter dificuldades de compartilhar com pessoas que estão fora dos meus padrões.

Se eu achar que não tenho condições de falar em público, não serei capaz, isso faz com que eu me limite tanto, que na verdade eu nem tento. Se eu pensar que sou pobre, por mais dinheiro que eu ganhe, vou continuar pobre.

Nós usamos os nossos valores e as nossas crenças tanto para julgar os outros como também para limitar a nossa capacidade.

Se temos um nível de exigência muito alto, não somos capazes de realizar obra alguma. O autoconhecimento é o que pode mostrar pra você o que está te limitando e lhe mostrar também quais são suas possibilidades.

A qualidade de vida é uma realidade que pode ser conquistada. A melhoria no modo como procedemos é uma viagem pessoal. Você precisa buscar, ninguém pode lhe dar.

Depende do seu desenvolvimento pessoal, ninguém pode fazer por você. E você não pode exigir que ninguém também o faça. Nenhuma mudança nas relações é efetuada por decreto.

Não se perdoa por decreto, não se ama por intenção. Tudo é construído. No dia a dia, na convivência. Sem exigências. Mas sem auto-abandono, e fazer a lição de casa transpondo as barreiras da ausência, em muitos momentos do sentimento de afeto.

É muito comum no exercício da orientação pessoal a gente ouvir: - eu não tenho nenhum problema com meus pais. Eu não tenho nada...

Inclusive eu não tenho amor.

A indiferença é o pior sentimento. Para quem é prisioneiro deste padrão de sentimento a ideia de não ter algo que ele quer no momento em que o quer deixa-o frustrado e ansioso.  

A motivação é um processo de dentro pra fora.

O autoconhecimento nos leva para uma profunda viagem para o nosso interior.

Cada um possui um conjunto de motivos próprios que impulsiona os nossos comportamentos e caracteriza a diversidade e faz com que cada um possa encontrar-se nos seus afazeres.

Algumas pessoas passam a vida inteira sendo infelizes.

Mas a propósito por que você nasceu?

Continua...

Ariovaldo Adriano Ribeiro
fotos by Ariovaldo Ribeiro

9 comentários:

  1. Lindooooooooooooooo, como sempre..... beijo
    te amo ainda mais.....

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  2. Muito bom, instrutivo e esclarecedor!

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  3. SE TODOS OS PRELETORES FOSSEM COMO VOCE... MARAVILHOSO, ADORO!!

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    1. Reverências,
      Muito Obrigado,

      todos são únicos e nunca ninguém é igual a ninguém... essa é a beleza da vida. Com certeza muitos são até melhores do que eu!
      obrigado por acompanhar o blog.
      Minhas reverências,
      Ariovaldo

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  4. Muito Bom!!! Compreendi muitas Verdades...Muito obrigada!!

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  5. Parabéns Arí, sempre muito bom!!!!

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  6. Parabéns, seu blog e muito interessante. Muito obrigada pelo carinho e dedicação que tem ao escrever, você consegue com suas palavras exclarecer assuntos tão dificeis de forma delicada e gentil.
    Sempre aprendo algo novo....

    Muito Obrigada

    Cintya

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  7. um dos textos mais lindo que já li. muito obrigada!

    Bruna

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  8. Boa tarde... muto obrigada... é bem verdade que as coisas aparecem na vida gente na hora certa...
    Sou uma pessoa com postura muito positiva diante da vida... mas ainda muito escrava de minha "compulsões"...
    Já cometi alguma "burradas em minha vida por conta dessas compulsões... caí, levantei... cai de novo, levantei... estou, ou melhor estava prestes acair de novo... mas resolvi que não vou ser mais escrava das minha compulsoões;...
    Eu gasto muito em supermercado... nao sou de comprar roupas, sapatos, mas "torro" dinhero no mercado... e nos ultimos meses me descontrolei e gatei demais... to numa situação critica, e poderia estar piorndo, mas resolvi procurar ajuda e estas não estão faltando... o texto do senhor foi mtuuuu bom pra mim neste momento, dar dimensão do tamanho de minha compulsão e de como não quero continuar assim... parabéns por ajudar as pessoas...muitoo obrigadoo... e peço humildimente que ore por mim...pra que eu me liberte deste "carma"...
    muito obrigado!

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