quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O dia em que o mundo não acabou – Parte Final.

     
Um mergulho para a cura da alma pela descoberta do amor aos pais. 

Sobreviver e ter sucesso, uma vida com significado. Eis a questão! E, já que o mundo nos deu uma trégua esse é um importante momento  para renascer.

Ao longo desse ano realizando esse mergulho, vivi várias experiências, algumas com muitas alegrias, o encontro com meu pai, a semana que passei em Rolim de Moura em companhia de minha família, com minha mãe, tia, tio, primo e minha prima afilhada e com os amigos do meu tio. Um momento tão bom que posso eleger um dos melhores do ano. Como é bom estar em casa. Mas também atravessei cavernas, escuras de minha alma, sofri, chorei, me busquei, aprendi, amei, perdi, fiz uma melhor amiga, perdi a melhor amiga, sai ferido, uma costela se quebrou no caminho e quase pensei que realmente o meu mundo tivesse chegado a fim, é tudo foi muito intenso. Em um balanço acurado posso dizer que estive em muitos recifes com lindos corais e de infinitas cores, afinal mais de oitenta por cento do ano foi explendoroso, muitas conquistas e alegrias. O mais nobre de tudo é que posso concluir que a felicidade permanente vem do tratamento das causas que fundamentam o sofrimento.
Mais uma vez tomo consciência de que quando você não administra seus estados emocionais é escravo deles. O impulso por sobrevivência quando não alinhado com nosso “interior sagrado” nos conduz com mais força na direção da infelicidade do que da felicidade.
De onde vem a força que nos convida a reagir, a abrir os olhos, a sair do ermo recôndito da tristeza e avançar, - ela vem da AUTOCONFIANÇA. No lugar de repetir de modo compulsivo, as mesmas experiências na tentativa de vivenciar estados temporários de felicidade, podemos treinar nossa mente para reconhecer aceitar e repousar a nossa alma em uma experiência mais duradoura de paz e contentamento.

Quando alcançamos a convicção de que foi bom ter nascido neste mundo, nasce a verdadeira alegria de viver.
Escolhendo a Felicidade

Observe uma criança, brincando no tablete de seu pai, obcecada para terminar o jogo e ganhar mais pontos. Desde essa tenra idade a gente já percebe como os jogos são viciantes, e entorpecem e escondem nossa direção. Então agora olhe para a vida de um adulto, e veja como todas as carências, paixões, ilusões financeiras e todas as mazelas que tratamos ao longo de todos os posts nesses mares também é um jogo, um tabuleiro um pouco maior que  entorpece a nossa natureza divina e nos impede de manifestarmos nossa potencialidade.

Conforme vimos até aqui uma vez que você se compromete a “curar a sua alma”, inevitavelmente você começara a ver mudanças em sua experiência cotidiana.
O melhor de tudo, é que uma vez que você começa a ver o seu potencial, você também começa a reconhecer esse mesmo potencial em todos que o cercam. E assim, aos poucos as coisas que costumavam a assombrar você perdem o poder de perturbá-lo. Você se torna intuitivamente mais sábio, mais descontraído e mais aberto. Passa a reconhecer os obstáculos como oportunidades de crescimento, e mais ainda seu senso ilusório de limitações e vulnerabilidade aos poucos vai se dissipando, e descobre nas profundezas do seu ser a verdadeira grandiosidade de quem você é.

Escolhemos a tristeza porque podemos escolher, mas agora sua pratica deve ser a simples aspiração de melhorar. Não é difícil reconcilia-se com sua história com sua Vida, e de quebra sempre terá essa autoconfiança que o irá impelir a vencer, em quaisquer circunstância, mesmo em um ano em que o fim do mundo se revelou para você.
O ponto essencial da cura, é a descoberta do amor. O despertar do seu amor para os seus pais.

Em o livro: “O amor entre pais e filhos” de autoria do Professor Seicho Taniguchi, podemos compreender através dos inúmeros relatos de pessoas que transformaram suas vidas, pela reconciliação com sua história, que fica evidente que o caminho é o amor incondicional.

No mesmo livro o autor nos ensina que quando nascemos neste mundo, recebemos da Vida, dois ingredientes que são indispensáveis para o nosso amadurecimento. Todo mundo recebe na medida da dosagem exata da necessidade de cada um. Cada um recebe aquilo que necessita receber.
Um ingrediente é o amor, e o outro é a disciplina.

Geralmente o amor, vem no papel da mãe, e a disciplina na função do pai. Embora possa alternar-se mas o fato é que recebemos o que precisamos receber. Alguns claro, necessitavam de mais disciplina e puderam experênciar diversos revezes, outros porém receberam mais amor.

Quando falo de disciplina você pode apertar a tecla “sap.” e ler também como aquele surra, aquele abandono, aquele maltrato, de um certo modo foi necessário. Estava dentro da nossa necessidade, como parte do pacote que nos leva ao amadurecimento.
Na ausência de um desses dois elementos, a Vida é justa ainda assim ela vai realizar um arranjo para que a gente possa receber o que necessitamos, ou na figura de um avô, de uma tia, ou mesmo de um irmão mais velho, de uma professora, do padrasto, que segundo o ensinamento da Seicho-No-Ie é apenas alguém realizando a função de “Pai Espiritual”, a continuação da função PAI. Desta forma você recebeu o que você precisava receber.

Após essa etapa de solver, passamos para uma outra faze. A RUPTURA.
Algumas pessoas vivem essa experiência aos nove anos, aos quinze, enfim a questão aqui é que existem muitas pessoas na vida adulta, que ainda não passaram por essa ruptura. E quando olham para sua vida, convivem com a sensação que algo está errado, que o seu nascimento foi um erro. Que nunca foram amados, e por aí vai. Basta ler todos os post anteriores que vamos perceber o quanto – a não ruptura – pode trazer inúmeros problemas.

Essa faze é quando começamos a caminhar com as nossas pernas. Nesta etapa tomamos conhecimento de que tudo é de nossa inteira responsabilidade. Que parte de nós e que depende de nós. É neste momento também que compreendemos que se temos a sensação de que não recebemos é porque no fundo a gente precisa doar.

Aqui o amor segue sendo a mola mestra de nossa vida, e a disciplina se transforma em sabedoria, que cura as feridas dos espinhos  e nos livra das tempestades e mares poluídos.

Mas como viver essa ruptura?

Nascemos neste mundo com a permissão de Deus, pelos laços cármicos escolhemos os nossos Pais, escolhemos onde nascemos, e tudo o mais que possa vir no pacote. Tudo como oportunidade para o encontro com o nosso “eu” mais profundo expresso na figura do outro.

Dentre todas as definições para VIDA, já comentei aqui que uma das quais mais aprecio é quando a Seicho-No-Ie nos ensina que a VIDA, é uma escola.
Só que precisamos compreender que nós, já viemos de uma outra escola, e já cursamos outras disciplinas. Passamos até por inúmeras escolas. E nascer onde estamos é justamente uma das oportunidades para graduar-se em disciplinas negligenciadas no passado. Dai então que os laços sanguíneos que nos unem, a família, os amigos, nosso trabalho sempre irá funcionar como um mundo de limites para nossa graduação. E nossa primeira etapa nesta vida, as lições primárias porém  mais fundamentais encontram-se no elo entre pais e filhos. No amor que se manifesta entre meio, está minha cura, e também minha reconciliação mais profunda incluso dos erros cometidos em outras escolas, melhor frisando em outras vidas.

O primeiro passo, para um viver pleno está em reconciliar-se consigo, que significa dizer, reconciliar-se com seu nascimento como ser humano na face da Terra. E, isso se dá na reconciliação com seus Pais.
Lembre-se se você não recebeu talvez para graduar-se com maestria você precise doar.

Preste atenção nesta narrativa, ela é fictícia porém é baseada em fatos reais no exercício da orientação pessoal:
- Um dia dois amigos, no final de um expediente resolveram tomar uns “birinaites”. Tratava-se de dois engenheiros altamente renomados com diversos prêmios internacionais e de dois grandes amigos. E assim iniciaram o seu “happy-hours” mandando ver nos drinques. Bem o grande problema aqui, não é o que entra. Mas sim o que se tem dentro. Dentro da caixa de pandora que é o seu subconsciente. Uma bebida com amigos pode até ser um momento de convívio social. Mas dependendo do conteúdo da caixa de pandora, tudo pode se perder. Sendo assim, já que você não sabe o que possa ter em sua caixa de pandora, deixo uma advertência: não beba.

Mas nossos dois amigos, seguiram em sua trajetória, até que um deles, provavelmente ao acessar a sua caixa, começou a lamentar-se alegando possuir uma grande dor na alma. Só pelo fato de estar vivo, ele sentia essa dor. Assim tomou a decisão de contar um grande segredo, apesar de ser bem sucedido, ele convivia com uma dor na alma.
Mas ele sabia, de quem era a culpa e assim foi logo dizendo que tudo era culpa de seu pai. Um pai sempre ausente. Um pai que só importava com seus irmãos. Um pai, que nunca o elogiou que sempre se manteve distante. Sua vida foi marcada por inúmeras tentativas de receber o reconhecimento do pai, mas tudo em vão. Ele chegou a ser laureado como melhor aluno na Universidade, ofereceu o prêmio para o pai, que não compareceu na solenidade. E toda vez que ele entrega uma grande obra, sempre espera que o pai, passe pelo local e pelo menos reconheça: esse projeto tem a participação de meu filho. Mas isso nunca aconteceu. Assim ele convive com essa dor na alma, por estar vivo, e, a culpa é do pai.
Logo depois do amigo, ter aberto o coração o outro já lá com sua alma também totalmente aberta começou a chorar, dizendo que também tinha uma dor na alma. Afinal os semelhantes se atraem e como não poderia ser, os dois compartilhavam dos mesmos sentimentos. E o amigo também foi logo falando ser possuidor de uma dor tamanha, e que também sabia de quem era a culpa.

E a culpa era do seu ....pai.

Só que com ele foi diferente: - eu mau saí das fraldas e meu pai, foi me deixar na escolinha, entrei naquela sala, um ambiente inóspito, lembro-me de chorar muito, eu não queria estar ali, mas o que mais me doía era o fato de olhar pra porta e lá ver meu pai acenando pra mim.
E assim, foi toda a minha vida, eu nunca brinquei como uma criança normal, pois eu chegava da escola e meu pai, logo perguntava você tem alguma tarefa meu filho? Então só vai sair para brincar quando terminar a tarefa. Quando eu terminava meu pai me dava  mais tarefa.

Aos onze anos meu pai, me deixava na porta do colégio e beijava minha bochecha. Aos quinze me buscava na casa de minha namorada. E assim, foi a minha vida inteira.
E toda vez que tenho um grande trabalho, quando entrego, lá está o meu pai acenando pra mim. Viver dói e a culpa é de meu pai.
Veja bem, duas carências paternas. E o que podemos notar nessa narrativa?

Um que recebeu e o outro que não recebeu.
A questão não é se você recebeu, ou se você não recebeu, o que vai implicar na sua história de vida, é a resposta que você dá.

A resposta que você dá é que faz a diferença.
Não é o que o outro fez. Mas sim como você se colocou diante do que você recebeu.

Deste modo se viver dói, ainda assim para não buscar inúmeras válvulas de escape como todas vistas até esse post, precisamos nos reconciliarmos com quem somos. Com o que recebemos, com nossas respostas, com nossas escolhas.

Mais uma vez, volto a frisar se você não recebeu, quem tem que dar é você. E, agora se você recebeu e isso lhe fez mau, você precisa aceitar ser amado. Se não foi amado, ame, se foi amado, e lhe incomodou retribua o amor, para sentir-se pleno.

Deste modo,  é que se passa pela ruptura.

E nesta graduação já estamos caminhando com nossas próprias pernas. Somos capazes de fazer escolhas conscientes. Somos capazes de conviver com nossa divindade, e não mais nos preocupamos com nossas ilusões.

O professor Seicho Taniguchi nos ensina que não importa a idade, mas  que, quanto mais agradecemos os nossos pais, mais nos tornamos adultos perfeitos e o resultado desta gratidão é um futuro promissor.
Se um dia o seu pai, encontrou a sua mãe, e deste encontro você nasceu. A missão foi cumprida. O que você vai fazer daqui para frente é que vai fazer a diferença na sua vida, não foi o que os seus pais fizeram. Se seus pais também se separaram, perceba de um modo mais profundo: o carma é dos seus pais – não tem nada a ver com você.

Seu pai, ainda que você não conheça, ainda que se perca, ele é o seu pai. E está em agradecer a este pai, a amar este pai a grande vitória da sua vida.
Se sua mãe, lhe abandonou, nada disso tem importância, aonde quer que ela esteja que possa receber o seu amor, a sua gratidão, esse deve ser o seu sentimento.

Seus pais estão dentro de você. Ao começar a agradecer, você irá movimentar a sua energia, a energia da sua Vida, a energia que lhe conduz ao sucesso, e a autoconfiança.
As vezes dependendo das dificuldades que nos encontramos precisamos perdoar os nossos pais, para depois poder manifestar sentimento de gratidão.

Quando conseguimos dizer: Papai Muito Obrigado. Mamãe Muito Obrigado, podemos dizer que estamos amando os nossos pais. E essa é a virada, essa é a cura de todos os nossos males. Tratamos em muitos momentos na superficialidade, mas temos que descer no recôndito da nossa alma para viver a grande reconciliação. E ela está em manifestar amor para com os nossos pais.

É comum algumas pessoas por terem vivido até uma vida do ponto de vista da moral, boa com seus pais, não conseguirem entender a importância da gratidão aos pais.

Há casos que a ausência do sentimento de gratidão é o pior inimigo. A falta de compreensão, a incapacidade de ouvir o outro, de acolher suas histórias, a necessidade de firmar-se como centro, como adulto, gera um grande vazio que não se explica e não se cura com nada neste mundo. Se trilha caminhos terapêuticos, busca-se o amor no outro, obtém-se até sucesso como profissional, mas vira e mexe é perseguido, sofre reveses e não se entende o por que de tantos acontecimentos ruins.

Falta manifestar amor, compreenda: o amor de Deus, só pode ser experenciado no amor que manifestamos aos nossos pais. Quando reverenciamos nossos pais, como Deus, podemos saber o que é de fato amor, nos ensina a Seicho-No-Ie, e neste momento somos livres de todas as dores.
Bem deixando agora esse oceano, aproveitando que estamos recebendo um mundo novo, vamos intensificar ainda mais nossa gratidão aos nossos pais.

Você pode pegar um caderno, desses escolares com dez matérias, e escreve-lo todo: Papai Muito Obrigado, Mamãe Muito Obrigado. Você também pode pegar um quilo de feijão, e a cada feijão de um lado para o outro, você  pode fazer essa pratica, e dependendo da gravidade dos seus sentimentos neste momento se são confusos, ausentes, ou mesmo se você estiver vivendo qualquer um  dos problemas que tratamos neste mergulho, aproveite essa pratica para fazer a oração do perdão.
No inicio pode ser desconfortante, mas lembre-se a prática ela é mecânica o resultado é no cotidiano. Além do mais quem inicia a pratica é a boca, mas tão logo ela toque o coração sua vida ganha um novo significado.

Leia o livro Buscando o amor dos Pais, (www.sni.org.br/livrariavirtual)  e aproveite essa leitura como pano de fundo para intensificar ainda mais sua gratidão.

Já que o mundo não acabou vamos juntos dar um novo significado ao nosso mundo através do amor aos nossos Pais.

Lembre-se: quanto mais você agradece aos seus pais, mais você se torna um adulto perfeito e tem um futuro promissor.

Descompensando, voltando a superfície.
Fim do mergulho!

Reverências,

Ariovaldo Adriano Ribeiro
fotos by Ariovaldo Ribeiro

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A última fronteira – drogadição - parte 10 em 2 capítulos.


Um mergulho para cura da alma pela descoberta do amor aos pais.

Capitulo 1

No ano de 2011 tive a oportunidade de representar a Seicho-No-Ie em três eventos que envolvem este tema. Estive no “Seminário Estadual de Políticas Públicas de Combate às Drogas”, no anfiteatro do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) dia 29 de agosto.

O seminário foi idealizado pela Câmara Federal, sob coordenação da comissão especial  para promover estudos e predisposições de políticas públicas e projetos de Lei destinados a combater e prevenir os efeitos do crack e outras drogas ilícitas. Tendo como pauta combater o uso de substâncias entorpecentes entre a população brasileira, suas consequências e formular proposições para a sua prevenção e controle.

 O convite foi feito a Seicho-No-Ie pela deputada Keiko Ota, que faz parte da Comissão, meu tema foi: Reinserção Social.

Depois estive presente no seminário, dia 10 de outubro, a pedido do relator da Cedroga  - Comissão Especial de Combate as Drogas, deputado Givaldo Carimbão. E também em outro seminário, desta vez, na Assembléia Legislativa de São Paulo, coordenado pela deputada federal Aline Corrêa, com colaboração da deputada federal Keiko Ota, que novamente convidou a Seicho-No-Ie para trazer ao evento uma visão espiritualista, dentro do tema.

Nesta oportunidade a preletora Sônia Hipólito também discursou em nome da Seicho-No-Ie.

Nestes eventos, tive a honra de conhecer especialistas no assunto, e também ouvir relatos de pessoas que vivem o dia a dia do dependente químico, os chamados codependentes, e que foi para meu estudo e visão uma grande contribuição.

Abençoo, louvo e oro para que Deus instrua e oriente os trabalhos da deputada federal Aline Corrêa, deputada federal Keiko Ota - que é membro da Seicho-No-Ie, deputado federal Arnaldo Faria de Sá e deputado estadual Jooji Hato - também membro da Seicho-No-Ie, neste trabalho da comissão. Precisamos de mais pessoas públicas que discutam e promovam a prática do bem e da saúde, aos que se perderam na viela das drogas, o que para muitos já é uma doença.

Já em 2012, dia 06 de maio, representei a Seicho-No-Ie no 18º Fórum Religioso Universalista realizado na UBE – União Brasileira Universalista em São Paulo - com o tema “Droga - da dependência a independência”. Nesta oportunidade também pude ouvir o posicionamento de outras denominações religiosas referente o assunto.

Um ponto ficou claro: para erradicar esse problema na nação brasileira, é  necessário que toda a sociedade se mobilize, debatendo, conhecendo, conscientizando e acima de tudo, trabalhando na prevenção, para que o ser humano não se perca nesse mal. 

Permita-me falar um pouco da minha experiência.

Cada vez, é mais difícil - graças a Deus -, descer ao sótão da minha mente e revisitar antigos sentimentos que me levaram as drogas, graças aos anos de estudo e práticas da Seicho-No-Ie não sinto mais as dores na alma daquela época.

Mas um dia estive ali, tocando a vida, mantendo a cabeça acima das dores, sem olhar pra elas com medo da própria realidade.

Estive no vazio, na solidão... Um dia ali, outro lá... trancado no banheiro do trabalho, me drogando as escondidas em pleno sol, no alto dos 35 graus de Rondônia.

O que era, para alguns, apenas umas tragadas numa festa. Para mim, viver em torno de uma névoa de maconha não me satisfazia mais. 

De certa forma uma grande injustiça, pensava eu. Por que alguns amigos podiam ir ao bar e tomar apenas um chopp e ir para casa? E eu precisava - na minha compulsão - continuar bebendo, tomando outro e outro até migrar para maconha e chegar na cocaína, usada já fria, no banheiro do trabalho, pela vidreta escondida na meia da calça, com medo de ser pego em uma blitz?

Vivia a vida sem perspectiva. Sem alegria, repetitiva, obsessiva e impotente de um viciado. Mesmo cercado por inúmeros amigos, e aparentando uma normalidade para todos, inclusive para a família. 

Ainda que muitos cientistas acreditem que a droga pode dominar certos centros de prazer do cérebro, o fato é que o viciado fica concentrado em um ou mais prazeres específicos, excluindo todo o resto, sem vida social, sem família, sem amigos, sem namorada, sem esposa, sem marido, sem filhos. Até pode ter mas isola-se de todos.

Para cada tipo de carência existe um tipo de compensação. 

Analisando as inúmeras orientações pessoais com este tema - meu padrão - o que li, e estudei; consegui mapear do seguinte modo: a pessoa que vive na solidão, não por viver sozinho, mas por estar só,  podemos dizer na solidão intrapsíquica, irá abusar do álcool, pode até parar por aí e ainda justificar-se que seu mal é somente e bebida alcoólica e o que isso tem demais?

Para quem vive no mundo dos sonhos evasivos, dos grandes projetos e pouca capacidade de realização, fará uso da maconha como esteio. Ela também está ligada ao desejo de mudar de vida, e pode funcionar como uma interação social, para os mais tímidos. Já a cocaína, e os psicotrópicos similares até mesmo os sintéticos, está associado a um desejo de sentir-se inteligente, bonito e satisfeito. Aqui estão os "semi-deuses", são cultuados e alimentam-se da idéia de popularidade.

Nos seminários  da Cedroga,  que participei, vi que existem diferentes tratamentos disponíveis para o alcoolismo e vícios em drogas ilícitas, incluindo medicamentos, aconselhamentos e diversos programas. Hoje a medicina está tão avançada, que qualquer um pode deixar os vícios. 

Um dos maiores entraves para o convívio na sociedade de alguém que está buscando uma nova vida é a dependência psicológica. 

A medicina evoluiu tanto que é facílimo tirar alguém de uma dependência física, mas o ser humano recai por causa da dependência psicóloga. Dos padrões mentais cultivados antes, durante e após o contato com as drogas.

A pior solidão é aquela em que nos auto-abandonamos. Esta sim, é a pior solidão.

O ser humano faz tudo para ter um convívio social, até o uso abusivo de drogas é levado pela busca do convívio com o outro. É uma busca de amor, só que  ao mesmo tempo ele faz  de tudo para se isolar, e usa suas inseguranças, complexos, fobias como justificativas, e chega realmente a crer com toda a sua alma, que ele está só sem amigos, sem família, sem reconhecimento vivendo uma vida mediocre.

Vivemos em uma sociedade que para curar a inquietude é necessário ostentar uma casa perfeita, um emprego perfeito ou  mesmo um namoro perfeito. 

O medo leva ao desespero, já vi no exercício da orientação pessoal, pessoas altamente capacitadas que se perdem pelo medo e pela necessidade de aprovação constante do outro.

Preciso deixar aqui uma advertência: busque ajuda. 

Já convivi com muitas pessoas que conseguiram mudar o rumo da vida, e no encontro com o seu “eu” (sua história), no encontro com o amor -  esse, mais sagrado que estou tratando nestes posts – o amor entre pais e filhos – capaz de curar a alma – ainda que tudo isso seja otimista. Se você vive melancólico, constantemente deprimido, ou se alguém do seu convívio está assim, por favor, busque ajuda! E se preciso for, busque uma ajuda profissional ou peça para alguém fazer isso por você.

Quando oriento jovens o primeiro passo para a libertação, é ganhar a confiança dos pais. O arrependimento que pressupõe o desejo de mudar de vida deve vir, em muitos momentos, - dependendo da gravidade do quadro - com um pedido de ajuda dos pais.

Sabe que conversar com um preletor, é o mesmo que estar conversando com Deus, e o mais complicado nestes casos é que não podemos e devemos como ética religiosa manter a conversa no segredo de confissão, e em alguns casos, o tema trás em si uma grande responsabilidade. Graças a Deus, contamos com a ajuda e proteção do ANJO MOR, que sempre ampara e é quem verdadeiramente orienta. Sendo assim, na orientação de questões específicas de abandono, construo uma ponte para o diálogo e ele, é a luz para uma vida de lucidez. 

Sem preconceito, é necessário entender, que no caminho tudo pode acontecer, e não importa o quanto um vício pareça controlado, a recaída sempre é possível. Muitos viciados param e ficam limpos e sóbrios apenas, por exemplo, com um Seminário em uma das Academias da Seicho-No-Ie, caso se permitam um mergulho na Verdade, e sobre tudo, no encontro com o Amor de Deus, através dos pais, ou mesmo compreendam o que está em jogo.

Basta lançar na alma um fio de esperança, uma pequena luz chamada ‘amor’, que já é o bastante para aquecer e tirar do coração o frio o vazio e a tristeza.

Porém, não é incomum pessoas com vícios, terem uma ou várias recaídas antes de finalmente obterem êxito. Isso explica por que, para alguns, um objetivo realista pode ser recaídas cada vez mais raras e fases de sobriedade cada vez mais longas. Claro que, a meta principal é não haver mais recaídas, e manter-se limpo, mas precisamos sempre estar alertas e temer um pouco o excesso de confiança. Mesmo após quase 22 anos eu ainda adoro o cheiro da maconha, mas quando decidi me manter limpo, eu fiz uma escolha: ser feliz. 

Depois busquei ao longo do meu caminho, sempre a comunhão com o bem, abandonei a melancolia e as carências que me levavam a uma vida sem significado.

E se foi possível para mim. Também é possível para você.
Continua para não ficar muito longo...

Ariovaldo Adriano Ribeiro
Fotos by Ariovaldo Ribeiro

domingo, 14 de outubro de 2012

A última fronteira – drogadição - Capitulo 2 de 2 - Parte 10


Um mergulho para cura da alma pela descoberta do amor aos pais.

Capitulo 2

Olá queridos amigos,

O capítulo 1 da parte 10 foi um dos posts mais lidos desta série, só perdeu para a parte 1, onde conto minhas agruras amorosas. Recebi também inúmeros e-mails, pontuando, concordando, discordando, fomentando, interpretando e também orientando. Interessante que aqui no blog foi o menos comentado.

Percebi que o assunto é polêmico, para alguns. Vimos no capítulo 1 que para cada tipo de carência existe um tipo de compensação, vamos recapitular:  

“Analisando as inúmeras orientações pessoais com este tema - meu padrão - o que li e estudei. Consegui mapear do seguinte modo: a pessoa que vive na solidão, não por viver sozinho, mas podemos dizer na solidão intrapsíquica, irá abusar do álcool, pode até parar por aí e ainda justificar-se que seu mal é somente e bebida alcoólica e o que isso tem demais?

Para quem vive no mundo dos sonhos evasivos, grandes projetos e pouca capacidade de realização, fará uso da maconha como esteio. Ela também está ligada ao desejo de mudar de vida, e pode funcionar como uma interação social, para os mais tímidos. Já a cocaína, e os psicotrópicos similares até mesmo os sintéticos, está associado a um desejo de sentir-se inteligente, bonito e satisfeito.”

Veja, na regra geral funciona assim, podemos acatar como regra geral um padrão que independente da situação, se repetem em diferentes pessoas, em diferentes situações. Agora, claro que quando vamos para a especificidade de cada um, tudo pode mudar, uma vez que cada ser humano possui seu próprio universo psíquico.  

O que me preocupou um pouco, foi como muitas pessoas tratam o assunto com certo tabu. Quando se vive na ignorância pode se ter uma permissividade com determinados assuntos e achar que tudo é natural. E para muitos, utilizar-se de diferentes substâncias para o dia a dia é algo completamente normal e que mal pode ter?

Interessante é que talvez um dia eu também tenha pensado assim. O fato é quando não trabalhamos nossas memórias para sermos livres e dominarmos o nosso ambiente de modo feliz, podemos defender que não existe mal nenhum de vez em quando drogar-se.

O grande entrave para um viver saudável é justamente as dependências psicológicas que vamos cultivando através das nossas carências, e já vimos também que carentes todos nós somos (na parte 9). Então como é possível ser livre? Em termos gerais, essas foram as maiores dúvidas que recebi em torno deste post.

O ensinamento da Seicho-No-Ie nos ensina que todo ser humano possui natureza divina, é o despertar para esta verdade que nos liberta de todos os sofrimentos. Então, ainda que aqui estejamos retratando diversas facetas dos sofrimentos, com o propósito de identificar e não de julgar, o que está por trás é a importância do despertar espiritual através da descoberta da possibilidade de amar e ser amado.

Isso só é possível, justamente porque o perfeito existe dentro de nós.

Quando nos acostumamos com o que não é verdadeiro, acatamos as ilusões como se elas fossem reais. Para viver uma nova vida, uma vida limpa de qualquer substância, precisamos de uma nova educação. Se você busca uma nova vida e continua com os mesmos hábitos da vida anterior, logo irá perceber que está vivendo a mesma situação do passado, no presente. Por isso que muitas pessoas necessitam de um acompanhamento sistêmico, para romper  assim o cárcere mental.

Fica claro que o homem precisa aprender a reconstruir o seu destino. O sonho é o principal veículo nesta etapa. Muitas pessoas marginalizadas em suas frustrações, não possuem mais essa capacidade de acreditar em melhorias e sozinhos não conseguem buscar a melhoria.

É preciso devolver o sonho para o homem.
É preciso ensinar o homem, novamente, a sonhar.
Sonhar é obter esperança, e no sonho, lançamos uma luz na alma para uma vida além das dependências.

Os problemas familiares e sociais são grandes entraves para quem busca uma libertação. Os ambientes violentos levam às pessoas a perderem a capacidade de colocar-se no lugar do outro. Extingue-se a compreensão, e a vida fica sempre voltada para o lado negativo, onde se enxergam apenas os problemas.

Quando se vive entre críticas e repreensões, e quando as crianças convivem nos ambientes onde os adultos ralham com gritos, estes são os suscetíveis a amadurecerem com carências psicológicas.

E, onde os adultos vivem em volta dos mesmos problemas, os jovens são incapazes de pensar em mudanças e reafirmam nos sentimentos que a vida é assim mesmo e replicam em suas vidas os exemplos dos adultos.

Um ambiente saudável é aquele onde a autoconfiança é cultivada com a disciplina necessária para o equilíbrio da ordem, onde o sonho esteja presente e prepare a criança para o futuro.

Porém, não existe culpado.
Não é o que o outro fez, é sempre a resposta que foi dada ao fato é que fará a diferença.

Já conheci muitos jovens que viveram grandes conflitos. Separação dos pais, perdas irreparáveis, entre outros tantos sofrimentos e ainda assim, hoje são pessoas brilhantes. Justamente por não encarcerarem-se na mente, vivendo da vitimização.

Mas, muitas vezes o ‘viver vazio’ é a manifestação de uma busca por uma vida diferente, um modo de livrar-se das vibrações negativas do lar.

Pessoas que vivem com medo, podem buscar as drogas com o propósito de entorpecer-se e, afastar o medo.

Certas pessoas só conseguem viver sem o sentimento de culpa porque camuflam os sentimentos com os vícios. Portanto, diz o professor Masaharu Taniguchi no livro A Verdade da Vida, vol. XVI que “enquanto viverem sentindo-se culpadas o vicío será um artigo de primeira necessidade para a sobrevivência do ser humano”.

Os medos primários brotam desses ambientes conflituosos, precisamos treinar e exercitar a harmonia familiar. Em qualquer configuração de família. Onde convivem pessoas é necessário esse treinamento para manifestar ali um lar em harmonia.

Se não houver essa diligência, de nada adiantará as campanhas de ordem explicativas que a droga, por exemplo, é um mal que pode destruir a vida, gerando outros males. Tentando fazer com que as pessoas deixem as drogas pela informação, tudo isso será irrelevante.

Diz o professor Masaharu Taniguchi, que para as pessoas que vivem com medo, se não houvessem a bebida e o fumo, esta vida se tornaria insuportável e triste, e elas se sentiriam como que encurraladas, censuradas por algo que chega a ser inexplicável.

Estou classificando o sentimento do desconforto como sendo um medo, mas também podemos ler como uma tristeza. E, a própria pessoa não consegue explicar claramente o que acontece, o que a leva a sentir tal tristeza e nem por que, e, como vem reprimindo essa consciência, com uma mentira inicial, depois com vícios ocultos até chegar a um completo abandono.

Portanto, por mais que se tente fazer a pessoa largar o vício, os esforços serão em vão enquanto não forem corrigidos as atitudes mentais, ao invés de mudar o modo de vida da própria pessoa.

Com o desenvolvimento da humanidade e  o consequente  aumento da complexidade da vida, houve também um crescimento nas causas que geram sentimento de culpa, medo e insatisfação. Levando cada vez mais as pessoas a um consumo maior de álcool e fumo no intuído de anestesiar esses sentimentos.

É preciso ensinar desde já, os jovens a manterem uma atitude mental natural, ensinar como viver sem sentimento de culpa, como amadurecer de modo correto, através dos sonhos por uma vida com significado, tornando-se autoconfiante.

São muitos os casos onde os adultos, ao invés de acolher e ajudar, apenas criticam os mais novos e estes passam a buscar uma vida dupla, indo beber e entorpecer-se prostituir-se onde não são criticados.

O acompanhamento se faz necessário para tratar o mal em sua raiz, caso contrário, é quase impossível refazer-se em sua cura interior. Deste modo estaremos trabalhando na prevenção de futuros males.

Mas, lembre-se o perfeito existe dentro de você, por isso, neste momento você também pode aniquilar qualquer mal em sua raiz.

Por isso, quero frisar novamente, não tenha medo. Busque ajuda.

Continua...
Ariovaldo Adriano Ribeiro
Fotos by Ariovaldo Ribeiro