sábado, 10 de dezembro de 2011

Vícios ocultos - parte 3


Um mergulho para a cura da alma, pela descoberta do amor aos pais. 
Na caminhada, enquanto estamos nos definindo, ou mesmo descobrindo quem somos, é comum cometermos algumas “tolices” na busca pela nossa identidade. 
Só que tudo isso é praticado na mais pura inocência.
Na inocência dos atos praticados, refletimos, nos arrependemos e conseguimos dar um rumo diferente para nossa vida.
Quem não reflexiona não se conhece, quem não se descobre, pode vir a cometer erros muito maiores na vida adulta ou até mesmo perder-se para sempre.
Todos os atos praticados no agora são resultados de carmas do passado, até mesmo o fato, por exemplo, de um indivíduo viciar-se em sexo por dinheiro, é resultado de um carma do passado.  Este é apenas um dos exemplos de coisas que acontecem com alguns jovens na atualidade.
Já conversei com algumas pessoas que justamente para justificar o desejo de estar com alguém do mesmo sexo, utilizava-se do dinheiro, daí conseguia achar que não era o que ele queria, mas que era apenas uma necessidade financeira.
 A sexualidade é algo muito complexo.
Todos os padrões mentais, tudo nesta vida pode ser mudado.
Pode ser alterado, corrigido.
Uma vez orientei um jovem, que hoje está namorando e feliz, mas que na época mantinha a sensação de que a mãe dele sempre o assediava, ele tinha lembranças da adolescência de sentir a mãe o tocando de modo diferente, ou mesmo o masturbando enquanto ele dormia.
De fato ele nunca soube se isso acontecia, ou se era apenas um sonho, uma fantasia, porém na sua mente, tudo era tão real, que o levava a sentir-se impuro.
Esse sentimento cresceu em seu coração de modo que ele vivia cada vez mais infeliz, carregando o peso de um pecado involuntário praticado com a sua mãe.
Qual foi o resultado deste sentimento impuro, armazenado na mente?  Um dia sem mais nem menos no banheiro da escola tomando banho com um amigo, ele começou  a masturbar esse seu amigo.
Com isso a sua mente ficou ainda mais perturbada, o sentimento de “pecado” o atormentava constantemente, sentia-se impuro e sofria.
A dor em sua alma pelo peso da culpa passou a ser física. Tinha diversos problemas de saúde. Ele buscou abrigo na bebida, e quando saia da faculdade, “enchia a cara”, procurava “garotos de programa”, entregou-se a libertinagem, começou masturbando-os no carro, depois teve coragem de pegar os rapazes para apenas dormir com ele, até chegar a manter relações sexuais sem o uso de preservativos, colocando em risco a sua vida.
Quando o conheci em um Seminário na Academia, ele aparentava ser seguro de si, um jovem bonito, jamais ninguém poderia imaginar que sofria tanto assim.
No início ele procurou ajuda para falar da sua saúde frágil e outras coisas, e aos poucos foi revelando o seu sofrimento.
Conversei com ele, há poucos meses, o encontrei em um evento da Seicho-No-Ie, com a sua atual namorada, completamente refeito e feliz em poder estar construindo uma nova vida, livre das fraquezas que o atormentavam.
Pedi-lhe autorização para contar o seu relato, utilizando o seu exemplo em palestras para jovens, e até já falei sobre isso em alguns lugares, como um alerta para o modo de vida utilitarista, onde consumimos o tempo, as pessoas, descartamos a nossa vida do mesmo modo que fazemos em muitos momentos com o lixo sem ao menos nenhum cuidado.  Mesmo sendo uma passagem forte e de cunho muito pessoal, e claro, preservando sua identidade, justamente para ilustrar como é possível livrar-se das mais profundas carências é que estou trazendo aqui essa reflexão.
Muitas pessoas nas carências julgam-se uma aberração da natureza.
Uma vez ele teve coragem de pedir ajuda para um amigo. Que foi conversando - todo solicito - isso não é nada, mas um dia aproveitando-se de sua fragilidade (acredito eu), teve uma relação com ele e depois passou a extorquir-lhe em troca de manter segredo e não contar para os seus pais.
Isso fez com que ele ficasse com mais raiva de si, da vida, e das pessoas e se entregou cada vez mais a uma vida dupla, perfeito pra todos, e vagante nas noites em busca de sexo.
Depois do seminário na academia, acompanhei-o por nove meses, com orientações dentro de uma prática de “regestação”, onde ele pode reeditar a história do seu nascimento. Hoje ele está namorando uma garota, depois das praticas ele ainda teve relações com outros homens até pensou em namorar um, enfim, um ano depois ele conheceu uma garota que para ele - por enquanto - está bom, o fantástico de tudo é que deixou a vida dupla, aprendeu a ser fiel e recuperou a sua paz.
Sabe, quando ele teve disposição para conversar comigo, a primeira pergunta que me fez é se eu era gay, eu não entendi nada, como ainda não sabia de seus dramas, mas depois eu vi que ele estava com medo de confiar novamente em alguém e esse alguém se aproveitar dele. Mesmo se tratando de uma orientação pessoal.
É triste, muito triste, quando tudo isso acontece. Quando perdemos a esperança de que podemos mudar a nossa vida.
Uma vez, eu conversei com um Senhor, casado, com duas filhas, que chorou compulsivamente, contando que no mínimo, uma vez por semana ele precisava recorrer a “garotas de programa”, um vício mantido em segredo há anos, e não entendia como não conseguia libertar-se.
No caso dele, também a leitura assídua dos livros da Seicho-No-Ie, e a prática da Meditação Shinsokan, mas o auxílio na reunião local, o fizerem sair do poço da mais profunda amargura para uma vida livre.
Igualmente existem também muitos outros vícios ocultos que levam as pessoas as mais variadas torturas.
Uma vez um jovem me procurou para liberta-se da libertinagem pela internet.
No mundo paralelo ele criava personagens para ser aceito e brincava de ser feliz.
A mentira, também pode ser um vício oculto. Quando você precisa criar uma nova realidade como fuga da atual vida solitária, e mesmo na nova realidade, você é infeliz. Uma vez que cada mentira atrai outra situação igualmente mentirosa, o que gera mais decepções. E, para esconder os sentimentos se alimenta de uma nova mentira, tudo isso passa a ser o vício da mentira.
Uma vez, uma jovem me contou que na carência, pulava a janela de sua casa, e acabava se envolvendo com o primeiro que encontrava na rua. Desde o mais elegante rapaz ao mais maltrapilho ser que escolhe viver como “lixo humano”.
Na carência, qualquer cachorro rabugento que passa pela rua abanando o rabo nos leva com ele. Na solidão se mendiga o amor.
Eu também tive os meus vícios ocultos, um deles foi fumar escondido por quase vinte anos. Toda noite, consumia uma carteira de cigarros fumando um atrás do outro sem parar até acabar o maço, e às vezes ainda saia na calada da noite pra comprar mais.
Graças a Deus faz três anos que deixei de fumar, através da prática de “Purificação da Mente” da Seicho-No-Ie.
Muitas pessoas buscam a felicidade na satisfação dos desejos.
Todo mundo pode se libertar dessas algemas.
Quem decide ser feliz consegue, mas quem foge de si, buscando nas rotas de fuga um modo de satisfazer-se, utilizando-se das pessoas como se tudo pudesse ser descartado, acaba sempre morando na viela da solidão.
É muito importante o homem ter o conhecimento correto das coisas.
Buda ensinou que o primeiro passo para a iluminação é o conhecer.
Precisamos saber o verdadeiro aspecto das coisas, e descobrir a nossa verdadeira essência. A nossa Imagem Verdadeira.
No livro para Realizar o Amor e a Oração, a Seicho-No-Ie nos ensina dentro de outra perspectiva o que é a Vida. Vejamos a seguir:
“O homem e a sua Vida, são auto-expressões de Deus. Deus é o Criador. O Criador precisa de instrumentos para Se manifestar, assim como o escritor necessita de revistas e livros para publicar suas obras, e o pintor de tela e pincel para criar sua arte. Assim para expressar os Seus múltiplos aspectos, a infinita capacidade, beleza e alegria, Deus precisou criar grandiosas obras chamadas “Vivência” e “Universo”, utilizando-se do ser humano, que é dotado de infinita multiplicidade, beleza e força. A Vida é um palco criado por Deus. (Deus não cria o roteiro, mas sim um palco e os atores.) Deus cria infinitas “ramificações” Suas, que são filhos de Deus, e eles como atores, representam várias peças. Assim nesta vida são apresentadas peças dos mais variados enredos: histórias de amor infeliz, de luta, de doença, de harmonia etc. Mas tudo isso são representações. Mesmo que estejam ocorrendo situações tristes e difíceis, elas não passam de representações teatrais. Na verdade, o artista não está sofrendo, não está doente nem passando por dificuldades. Mesmo que o personagem morra na peça, ao descer o pano, o ator se retira para o camarim, toma lanche e conversa alegremente com os colegas. Analogamente o verdadeiro ser humano não sofre, não adoece e não morre; ele é um filho de Deus, indestrutível e imortal, é uma “ramificação” de Deus.” In Para Realizar o Amor e a Oração – Seicho Taniguchi
Abandone o que já passou, quem fica preso no passado, não consegue construir uma nova vida.
Cada sensação vivida deposita em nossos corpos mais sutis uma vibração. Essa energia vai solidificando-se até formatar um padrão.
Esse padrão vibra na nossa alma e constitui um poderoso magneto, que atrai para si as mesmas ondas compatíveis com a vibração do emissário, em função disso é que somos prisioneiros do carma. No ciclo do vício da mente, a história sempre se repete.
Sentindo solidão e sofrimento, a mente interpreta que falta alguém na nossa vida, e na cabeça permanece o desejo de possuir qualquer um que surgir na sua frente. Para aplacar a solidão.
No volume 1 de a coleção A Verdade da Vida, consta o ensinamento que nosso corpo nós recebemos dos nossos pais, quando não conseguimos viver em harmonia com a nossa história pessoal e com os nossos pais a tendência, sempre inconsciente, é a de jogar o corpo fora.
É através do amor aos pais que podemos sentir o amor de Deus, em nossas vidas.
Continua...
Ariovaldo Adriano Ribeiro
fotos by Ariovaldo Ribeiro

5 comentários:

  1. Muito interessante esse texto.Digo isso pois tenho conhecidos onde estes são homossexuais,mulheres e homens e todos eles tem alguma mágoa ou lembrança negativa em relação ao seus pais,principalmente a imagem paterna!!
    Parabéns pelo Blog Preleitor Ariovaldo...acompanho vocês não somente na mídia 'internet',mas também na Televisão todas as manhãs!!Tenho uma dúvida e gostaria se puder de uma resposta.
    Tenho um vício,considero assim pois é algo que é muito difícil de se despendrer...tenho uma vaidade excessiva,sempre buscando a beleza física,me incomodo tanto de estar sempre tão bem arrumada ao ponto de incomodar outras pessoas ao meu redor.Me sinto escrava dessa situação,sinto que a mídia tem grande influência na minha vida,gosto de roupas bacanas,preciso estar bem maquiada até nos finais de semana e o cabelo sempre impecável...
    No meu insconciente verdadeiramente falando,quero sempre ser o 'ponto de atenção' mas não vejo isso de modo que seja carência!
    Tenho pais maravilhosos,meu esposo é uma pessoa que reverencio todos os dias pela sua grandiodidade,meu filho é anjo maravilhoso!!E relamente não sei o porque isso me aprisiona...o que poço fazer para melhorar essa situação?
    Muito Obrigada!!
    Tábata Tamires - Facebook .

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  2. Obrigada por ter escrito esta história. Ajudou-me bastante. A Seicho-No-Ie é maravilhosa. Fui ao Seminário de Gratidão aos Pais, e hoje em dia percebi que antes agia por carência ao escolher namorados. Mas, de agora em diante, mudei minha mente e passei a agradecer meus pais e antepassados e confio que tudo vai mudar para melhor. Obrigada!
    Luciana

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  3. Tenho ouvido comentários sobre esse post, de alguns amigos a quem recomendei.. e como já sabia rs rs rs estão adorando sua forma de falar sobre assuntos tão delicados, obrigada por me doar ferramentas para ajudar alguns amigos e até pessoas da fámilia, beijo no coração

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  4. bom dia, preletor tenho 14 anos e beijei uma menina, será que sou lesbica! como saber o que fazer.

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  5. Reverências,
    Muito Obrigado,

    por favor para perguntas de cunho pessoal, utilize-se do ícone contatos no canto direito do blog na página principal. Lá poderei lhe responder e também se assim for o caso, lhe enviar uma orientação pessoal.

    Agradeço a confiança em abrir-se buscando uma solução para seus problemas.

    minhas reverências,
    Ariovaldo

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